Data: 08/01/2011 - 08h36
Na fila entram títulos como Shakespeare Apaixonado 2, Papai Noel às Avessas 2, Curtindo a Noite 2, Cartas na Mesa 2 e um possível Bridget Jones 3. Sem contar um impensável remake de Cães de Aluguel, o primeiro filme longa-metragem dirigido por Quentin Tarantino. Reticentes, jornalistas foram atrás de justificativas de Bob e Harvey Weinstein sobre tal decisão: "Shakespeare Apaixonado 2 será, por exemplo, 90% melhor do que os filmes que estão sendo exibidos por aí."
Ainda que seja uma prática antiga em Hollywood, a criação de remakes e continuações vem se tornando nas últimas décadas uma prática bastante discutida, muito porque os roteiros terminam soando ora cansados, ora no melhor estilo caça-níqueis. Os remakes e continuações são regra, e não mais exceção para a grande indústria. Traduzindo isso nas palavras de quem trabalha na indústria: "Minha resolução de Ano-Novo: escrever algo que não seja uma sequência ou prequência, algo totalmente original", escreveu em seu Twitter Damon Lindelof, roteirista de Lost e de filmes como Cowboys & Aliens, que vai estrear este ano.
Qualquer grande lançamento vem sempre acompanhado hoje da pergunta: Rende uma sequência? E esta pergunta martela (e perturba) os fãs, por exemplo, de um filme que deu super certo em 2010, mas cuja continuação (possivelmente) teria um efeito tão devastador sobre a história quanto Matrix Reloaded (2003) teve sobre o Matrix de 1999. Estamos falando de A Origem. A boa bilheteria do filme (mais de US$ 825 milhões no mundo inteiro) se digladia agora com a possível frustração dos fãs diante de uma desnecessária sequência a uma história que é sensacional justamente por seu desfecho inconclusivo.
Já na categoria remakes, a preocupação maior dos fãs vem das adaptações achatadas de filmes bem mais profundos feitos em terras estrangeiras. Às vezes (poucas) dá certo, como foi o caso de Os Infiltrados, remake do filme Conflitos Internos (2002), de Hong Kong, e Sete Homens e um Destino (1960), remake de Os Sete Samurais do mestre do cinema japonês Akira Kurosawa. Na maioria dos casos, no entanto, as versões americanas subestimam a inteligência do espectador e sabotam as boas resoluções dos roteiros originais.
Já agora no começo de 2011, no dia 28 de janeiro, chega aos cinemas Deixe-me Entrar, versão americana para o filme sueco de delicadeza e mensagens tão sutis e inteligentes Deixa Ela Entrar. Apostando na larga audiência que circula distante do clubinho "alternativo", Hollywood tenta adequar tramas possivelmente sabidas demais a roteiros que pecam pelo mediano. Lembrando que há sempre gloriosas exceções à regra.
No começo de 2012, outra adaptação hollywoodiana vinda dos países nórdicos chega aos cinemas: The Girl with the Dragon Tattoo será a versão com Daniel Craig e Rooney Mara para o filme Os Homens que Não Amavam as Mulheres, com Noomi Rapace. E no fim de 2010, tivemos a notícia de que Hollywood também vai adaptar um título argentino que fez sucesso em dois festivais de cinema do Brasil este ano, mas certamente é um ilustre desconhecido do público americano: Abutres, de Pablo Trapero, com Ricardo Darín. Sem querer soltar nenhum tipo de "spoiler" sobre este título, fica a dúvida sobre como os americanos vão adaptar o final nada hollywoodiano deste longa de Trapero.